Pinter em vida desejou que no seu funeral fossem proferidas as seguintes palavras de Terra de Ninguém "No Man's Land":
"Acho que nunca te mostrei meu albúm de fotografias. SE calhar vês alguma cara que te fará lembrar a ti mesmo, naquilo que já foste. Se calhar vês caras de outros, na sombra, ou faces de outros, virando-se, ou os maxilares, ou partes de trás do pescoço, ou olhos enegrecidos sob chapéus, que te fazem lembrar outros, que já conheces, que achas terem morrido há muito, mas dos quais ainda recebes um olhar, se conseguires ver um bom espírito benfeitor. Permite o amor de um bom espírito. Eles possuem toda essa emoção. Entalada... . Curva-te perante isto. Isto nunca irá libertá-los, mas quem sabe como eles podem reanimar ...nas suas amarras, nos seus frascos de vidro. Podes achar isto cruel ... pontapeá-los, quando estão amarrados, aprisionados? Não não ...No fundo, no fundo, eles desejam responder ao teu toque, ao teu olhar, e quando sorris, eles se alegram ... é incontornável. Então aí digo-te, entrega-te aos mortos, da mesma forma que queres que se entreguem a ti, neste momento, naquilo que descreves como sendo a tua vida."
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"I might even show you my photograph album. You might even see a face in it which might remind you of your own, of what you once were. You might see faces of others, in shadow, or cheeks of others, turning, or jaws, or backs of necks, or eyes, dark under hats, which remind you of others, whom you once knew, whom you thought long dead, but from whom you will still receive a sidelong glance, if you can face the good ghost. Allow the love of the good ghost. They possess all that emotion... trapped. Bow to it. It will assuredly never release them, but who knows... what relief... it may give to them... who knows how they may quicken... in their chains, in their glass jars. You think it cruel... to quicken them, when they are fixed, imprisoned? No... no. Deeply, deeply, they wish to respond to your touch, to your look, and when you smile, their joy... is unbounded. And so I say to you, tender the dead, as you yourself would be tendered, now, in what you would describe as your life."
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
(do Diário de Felgueiras), com a devida vénia a José Carlos Pereira
A morte chegou ao mundo das Letras neste Natal. Harold Pinter, prémio Nobel da Literatura em 2005, e considerado um dos expoentes máximos da dramaturgia inglesa, sucumbiu, hoje, após prolongada luta contra um cancro no esófago. Aquando da sessão solene da entrega do prémio, o discurso do escritor foi interrompido por sucessivas "falhas de som"(!)
Filho de um alfaiate judeu, Pinter era conhecido como defensor dos direitos humanos. Como tal, opôs-se à guerra do Iraque, que o levou a criticar duramente o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente americano, George W.Bush, no discurso de aceitação do Nobel.
Nos anos 80, Harold Pinter fez parte de uma delegação representativa da Nicarágua, à altura do então governo sandinista, nas negociações com os EUA, então governados por Ronald Reagan, que ameaçava invadir aquele país e patrocinava os “Contra” através de um esquema de financiamento que passava pela venda de armas ao Irão cujo dinheiro era revertido para os guerrilheiros anti-sandinistas, num escândalo que ficou conhecido por “Irão-Contras” Nesse importante discurso, Harold Pinter testemunha uma conversa entre um padre da Nicarágua e o diploma norte-americano. O relato do sacerdote é arrepiante: “Dirijo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Há alguns meses uma força dos Contra atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram as enfermeiras e as professoras, assassinaram os médicos, da forma mais brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor, peça que o governo dos EUA retire o seu apoio a esta revoltante actividade terrorista”.
Perceba-se bem que Harold Pinter, no seu notável humanismo, não defendia regimes; defendia os direitos humanos! A melhor homenagem que lhe podemos fazer é saborear o discurso de aceitação do prémio Nobel, em 2005. Um texto histórico, sem dúvida. Embora longo, não cansa lê-lo. Deve ser lido, aliás. Não o percam
Filho de um alfaiate judeu, Pinter era conhecido como defensor dos direitos humanos. Como tal, opôs-se à guerra do Iraque, que o levou a criticar duramente o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente americano, George W.Bush, no discurso de aceitação do Nobel.
Nos anos 80, Harold Pinter fez parte de uma delegação representativa da Nicarágua, à altura do então governo sandinista, nas negociações com os EUA, então governados por Ronald Reagan, que ameaçava invadir aquele país e patrocinava os “Contra” através de um esquema de financiamento que passava pela venda de armas ao Irão cujo dinheiro era revertido para os guerrilheiros anti-sandinistas, num escândalo que ficou conhecido por “Irão-Contras” Nesse importante discurso, Harold Pinter testemunha uma conversa entre um padre da Nicarágua e o diploma norte-americano. O relato do sacerdote é arrepiante: “Dirijo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Há alguns meses uma força dos Contra atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram as enfermeiras e as professoras, assassinaram os médicos, da forma mais brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor, peça que o governo dos EUA retire o seu apoio a esta revoltante actividade terrorista”.
Perceba-se bem que Harold Pinter, no seu notável humanismo, não defendia regimes; defendia os direitos humanos! A melhor homenagem que lhe podemos fazer é saborear o discurso de aceitação do prémio Nobel, em 2005. Um texto histórico, sem dúvida. Embora longo, não cansa lê-lo. Deve ser lido, aliás. Não o percam
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