segunda-feira, 20 de abril de 2009

"O Serviço" (The Dumb Waiter)-1959



personagens : Ben, Gus
The Dumb Waiter (com 0 título Der Stumme Diener) estreou na Kleines Haus de Frankfurt, na Alemanha, em Fevereiro de 1959, com encenação de Anton Krilla e interpretação de Rudolf H. Krieg (Ben) e Werner Berndt (Gus).
Em inglês, a peça foi primeiro representada no Hampstead Theatre Club, a 21 de Janeiro de 1960, com encenação de James Roose-Heavens e interpretação de Nicholas Selby (Ben) e
e George Tovey (Gus).
A estreia em Portugal (com 0 título 0 Monta-Cargas) foi em 4 de Junho de 1963, na Sociedade Guilherme Cossoul, com tradução de Luís de Sttau Monteiro, encenaçao de Jacinto Ramos e interpretação de Filipe Ferrer e Carlos Nery.
O Serviço também estreou a 24 de Outubro no Festival de Teatro de Portalegre, com interpretação de Vítor Correia (Ben) e João Saboga (Gus) e cenário e figurinos de Rita Lopes Alves, Isabel Nogueira e José Manuel Reis.
SINOPSE: Numa cave profunda abaixo de um café, dois assassinos esperam instruções para uma malfeitoria. Estando os dois a postos, não sabem quando serão chamados, ou quem será a próxima vítima. Uma coisa é certa: não esperavam pedidos de bifes e batatas fritas que entretanto lhes chegam de um monta cargas de restaurante! "The Dumb Waiter" (empregado de mesa mudo) é um Pinter típico: despojado, claustrofóbico, simultaneamente ameaçador e divertido. Como câmara de eco de questões mundiais, a peça levanta questões sobre o poder, a política, a sociedade, a amizade e, finalmente, a traição.

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aqui um extrato de 5 minutos

"Os Anões" (Dwarfs)-1960

personagens de"Os Anões" (Dwarfs)-1960: Len, Mark, Pete
Neste nosso trabalho (as peças de Pinter têm o dobro de actores que de actrizes), optamos por transformar Len em personagem feminino com tiques e obsessões. Ela (ela aqui para nós) está sempre em cena, e os dois homens (Pete e Mark) vão gravitando em torno desta personagem em diálogos e monólogos.
O tema desta peça é o da solidão daqueles que têm muita gente em redor.

sábado, 18 de abril de 2009

“Solidões” em cena no IPJ

O Grupo Reticências apresenta a peça “Solidões” hoje no auditório da Direcção Regional do Algarve do Instituto Português da Juventude (IPJ).

Adaptada de textos escritos por Harold Pinter em diversas épocas, “Solidões” é uma peça composta por oito quadros que retratam o quotidiano: o dia e a noite, a paragem de autocarro, a cada um o seu problema, a oferta de emprego, a crise na fábrica, a entrevista, o último a sair, o diálogo a três vozes e a noite.

O autor pretende transmitir a provocação indiferente de diálogos alheados, conversas paralelas onde a comunicação é estabelecida através de quase monólogos, absurdamente banais.

Harold Pinter, dramaturgo inglês recentemente falecido, é geralmente visto como o principal representante do teatro britânico na segunda metade do século XX, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2005. Autor e poeta extremamente criativo, para além de inúmeras peças para teatro escreveu também para rádio e cinema.

A peça sobe ao palco pelas 21:30 horas.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O passado é um país estrangeiro

artigo de Ivan Lessa
BBC Brasil em 17/04/2009 às 05h27m
"O passado é um país estrangeiro; lá, eles fazem as coisas de modo diferente." No meu entender, uma das mais espetaculares frases de abertura de romance.
Aqui, entre os ingleses, eles concordam. Vivem citando ao menor pretexto de uma nostalgia. Curioso não ter pego no Brasil. Está lá no filme de 1971, dirigido por Joseph Losey, roteiro de Harold Pinter, O Mensageiro(The Go-between). Michael Redgrave a diz logo no início.

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O filme de Joseph Losey que marcou uma entrada no universo de Pinter, um tal Pinter das leituras no sub texto. Em 1963 já tinha filmado The Servant.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Esta noite aconteceu-me algo estranho...(De uma outra perspectiva)

By Anderson Lima

Nem tudo que te atrai é bom...porêm o importante mesmo é que não comeste...

Eu te assistia enquanto atravessavas a rua em direção ao suposto cheiro, achei estranho continuei a observar porem decidi não fazer ruido algum, estavas com um olhar diferente, nem alegre nem triste,mas fixo. Queria tocar-te, não te faria mal algum, muito pelo contrário, porêm foi quando encontrei um molho de chaves com uma pequena bolsa vermelha que era usada como chaveiro, quando a peguei notei que haviam moedas em seu interior, as contei e eram exatamente cinco euros e trinta, como ja estava ficando tarde e realmente aquele cheiro estava demasiadamente atrativo, decidi deixar-te ir,sabia que te veria novamente, parei,te segui com os olhos, porem com olhos de fome, quando ja não te avistava, agarrei as moedas que havia encontrado, adentrei ao restaurante subterrâneo que dava de frente com a entrada do metro,pedi uma porção de bacon e tomei uma cerveja, me deleitei, paguei ao senhor de camisa xadrez que me atendera, me regressou o troco que eram exatamente um euro e dez, me levantei e subitamente me veio um sentimento de vazio, havia saciado a fome, entao não poderia ser meu estômago, e me lembrei das couves podres que havia visto na rua, quase ao mesmo instânte em que fixei meus olhos em suas curvas,suas pernas e seu cabelo, então compreendi.
http://andylimamusic.blogspot.com/

Efêmero

Efêmero -----------------------------Anderson Lima

Acredito em tudo e ao mesmo tempo em nada.
Vim de diversos mundos,porém não pertenço a nenhum.
Amo minha vida, porém não suporto estar aqui.
Não me refiro a espaço físico, mas sim da nostalgia que sinto, de coisas que ainda não fiz.
Ser humano é não ser nada, além do que realmente é
Nasce,cresce,envelhece e morre até a luz escurecer
Minhas pegadas sumirão.
A minha voz será somente o reflexo dela mesma, em canções que perderão seu sentido com o tempo
Eternidade eu quero agora e meus olhos se recusarão fechar ,até que olhem em seus olhos por uma única ultima vez
Ela é quem me acalma e me da vida
Quando entra em meus ouvidos da sentido e até aquece o frio da solidão
A beleza, será ela utopia ?...já que a beleza na verdade esta nos olhos de quem vê?...
A alegria, é matéria ou energia?, já que não sabemos separar nossas vontades
Entre aquilo que desejamos com os olhos , e o que nos da ganas de tocar.

Anderson Lima www.myspace.com/andylimamusic http://andylimamusic.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Poesia de Harold Pinter


A propósito do post anterior da Nádia, aqui lanço algumas páginas com Poemas de HP
selecção do The Guardian
Harold Pinter ponto org

terça-feira, 14 de abril de 2009

Poem (17 January, 1995)

Don't look.
The world's about to break.

Don't look.
The world's about to chuck out all its light
and stuff us in the chokepit of its dark,
That black and fat suffocated place
Where we will kill or die or dance or weep
Or scream of whine or squeak like mice
To renegotiate our starting price.

Harold Pinter

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Não olhes.
O mundo está prestes a rebentar.

Não olhes.
O mundo está prestes a despejar a sua luz
E a lançar-nos no abismo das suas trevas,
Aquele lugar negro, gordo e sem ar
Onde nós iremos matar ou morrer ou dançar ou chorar
Ou gritar ou gemer ou chiar que nem ratos
A ver se conseguimos de novo um posto de partida.

Harold Pinter. Tradução de Jorge Silva Melo e Francisco Frazão
Várias Vozes. Quasi, 2006

Esta noite aconteceu-me algo estranho...

Esta noite aconteceu-me algo estranho...
Estava eu a caminho de casa, depois da aula, quando reparo num rasto de couves apodrecidas no outro lado da rua. Ainda tentei ignorar mas depois de sentir um cheiro intenso a bacon frito vindo dos mesmos lados, não consegui resistir...tive de seguir aquele trilho.
Andei por entre ruelas que nem sabia existirem no meu bairro. Andei, andei, andei... e o rasto levou-me até ao mesmo sítio do qual havia partido horas antes. Durante esse tempo as ruas estavam desertas mas posso jurar que alguém me perseguia. Conseguia ouvir uns passos rápidos atrás de mim... Acelerei o meu passo e, por fim, cheguei a salvo a casa.
Só mesmo à porta de casa é que dei conta que tinha perdido as chaves... A minha sorte foi um anão de gabardina amarela e óculos de sol me ter aberto a porta do prédio. Deve ser o vizinho novo que chegou na semana passada... Não sei se algum dos andares estava para alugar na semana passada...
Ainda lá devem estar a morar as mesmas pessoas.
Não consigo entender... Já dei voltas e voltas à minha cabeça mas continuo sem saber porque é que aquele cheiro me levou a atravessar a rua. Eu nem gosto de bacon, faz-me azia...
Estranho...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"O Actor"

"O actor acende a boca. Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor põe e tira a cabeça de búfalo, de veado, de rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente como o actor.
O actor acende os pés e as mãos. Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados. Bocado estrela. Bocado janela para fora. Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado. O que rutila, o que arde destacadamente na noite, é o actor, com uma voz pura, monotonamente batida pela solidão universal.
O espantoso actor que tira e coloca e retira o adjectivo da coisa, a subtileza da forma e precipita a verdade.
De um lado extrai a maça com sua divagação de maça.
Fabrica peixes mergulhados na própria labareda de peixes.
Porque o actor está como a maça. O actor é um peixe.
Sorri assim o actor contra a face de Deus. Ornamenta Deus com simplicidades silvestres. O actor que subtrai Deus de Deus, e dá velocidade aos lugares aéreos. Porque o actor é uma astronave que atravessa a distância de Deus.
Embrulha, desvela.
O actor diz uma palavra inaudível. Reduz a humanidade e o calor da terra à confusão dessa palavra. Recita o livro. Amplifica o livro. O actor acende o livro.
Levita pelos campos como a dura água do dia. O actor é tremendo.
Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor. Como a unidade do actor.
O actor é um advérbio que ramificou de um substantivo. E o substantivo retorna e gira, e o actor é um adjectivo. É um nome que provém ultimamente do nome. Nome que se murmura em si, e agita, e elouquece.
O actor é o grande nome cheio de holofotes. O nome que cega. Que sangra. Que é o sangue. Assim o actor levanta o corpo, enche o corpo com melodia, corpo que treme de melodia.
Ninguém ama tão corporalmente como o actor, como o corpo do actor.
Porque o talento é transformação. O actor transforma a própria acção da transformação.
Solidifica-se. Gasifica-se. Complica-se.
O actor cresce no seu acto, faz crescer o acto. O actor actifica-se.
É enorme o actor com sua ossada de base, com as suas tantas janelas, as ruas.
O actor com a emotiva publicidade.
Ninguém ama tão publicamente como o actor, como o secreto actor.
Em estado de graça. Em compacto estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela, acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento de onde brota a pantomima.
O actor vê aparecer a manhã sobre a cama, vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.
O actor em estado geral de graça."

Herberto Hélder

Aula nº9

Trabalho sobre "Os Anões", a pares.
Nesta peça com dois personagens masculinos, era entregue uma sentença e correspondente contra sentença a cada par de actores como ponto de partida.
Inúmeras referencias a certas peças de mobiliário português.
Duas duplas experimentaram mesmo uma incursão ao absurdo à Pinter.
Primeira aula com Fátima Apolinário.

Pinta, da Pinta, Pinto, da Pinto

Segundo a Wikipedia na versão britânica, Harold Pinter usou o apelido Pinta, um apelido de origem portuguesa, raiz da qual Harold Pinter acreditava ser o seu nome derivado.
Usou também os apelidos da Pinta, Pinto, da Pinto nos primeiros escritos poeticos publicados.
A viúva de H.Pinter Antonia Fraser afiança no entanto que Harold Pinter descende da Europa de Leste.
Veja-se

domingo, 12 de abril de 2009

Personagens

As personagens de Pinter exprimem exactamente aquilo que lhes vem à mente e muitas vezes emerge directamente do inconsciente. Pode acontecer que isso nada tenha a ver com a acção ou com o que acaba de dizer a outra personagem. Para dizer a verdade, não há diálogo.As personagens de Pinter só se revelam aos poucos e de uma maneira incompleta: esse é o trabalho do actor.
Mervyn Jones

"As suas palavras não dizem o que dizem, dizem mais. O enigma é muito interessante porque está bem perto da verdade da vida."
Claude Régy àcerca de Harold Pinter

"O teatro de Harold Pinter revela um universo singular, cómico e aterrador, feito de sub-entendidos, mal-entendidos ou puros equívocos. Nele observa-se, como se fosse ao microscópio, personagens que vegetam confusamente, de quem quase nada se sabe e que, de repente, explode num confronto em que as palavras são armas mortais. Estamos no reino do falso para se atingir uma verdade que é ainda mais falsa. As perguntas que se colocam não são aquelas que nos vêm à cabeça e a resposta, ou a recusa de responder limita-se a aumentar o abismo da incompreensão. O pudor torna-se violência, o sorriso ameaça, o desejo impotência, a vitória desfaz-se."
Eric Kahane

Diálogos de pausas, Teatro de Silêncios

Pinter é daqueles autores com textos de tal dimensão que só nos resta nos colocarmos ao serviço daquelas palavras.
Comecei por propor à actriz Sofia Gonçalves, depois da gratificante experiência que foi “Os 5 Sentidos” e o período de 4 meses que se lhe seguiu, um curso de Expressão Dramática, mas que não seria um curso de Expressão Dramática qualquer, devia ser algo contendo uma força motriz especial. A ideia de lançamento de um curso de Teatro de Autor para poucos meses foi pois da Sofia Gonçalves. E foi a Sofia mais longe: propôs-me o nobelizado falecido na véspera de Natal.
Um Curso de Teatro de Autor, versando Harold Pinter (1930-2008)
Tarefa pesada, responsabilidade obrigatória, aceitei, recuei. Voltei a ligar-lhe para o arranque. Novos recuos. Novas aceitações. Uma planificação, e depois outra. Cada dia que passava em Janeiro, depois Fevereiro, os textos de silêncio parecia que pediam para ser representados.
Até 16 de Março, o grande dia de arranque desta jornada.
Este teatro que entrega ao Actor o decurso da situação, que o sugere na tensão de diálogos de pausas, declarações, e sempre : silêncios; já trouxe fascinantes e mágicos momentos, protagonizados pela dezena de alunos na sala 102 do Centro de Formação da Casa do Artista.

Domingo de Páscoa em família, em Alfragide.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Silêncio

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

(do Diário de Felgueiras), com a devida vénia a José Carlos Pereira

A morte chegou ao mundo das Letras neste Natal. Harold Pinter, prémio Nobel da Literatura em 2005, e considerado um dos expoentes máximos da dramaturgia inglesa, sucumbiu, hoje, após prolongada luta contra um cancro no esófago. Aquando da sessão solene da entrega do prémio, o discurso do escritor foi interrompido por sucessivas "falhas de som"(!)
Filho de um alfaiate judeu, Pinter era conhecido como defensor dos direitos humanos. Como tal, opôs-se à guerra do Iraque, que o levou a criticar duramente o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente americano, George W.Bush, no discurso de aceitação do Nobel.
Nos anos 80, Harold Pinter fez parte de uma delegação representativa da Nicarágua, à altura do então governo sandinista, nas negociações com os EUA, então governados por Ronald Reagan, que ameaçava invadir aquele país e patrocinava os “Contra” através de um esquema de financiamento que passava pela venda de armas ao Irão cujo dinheiro era revertido para os guerrilheiros anti-sandinistas, num escândalo que ficou conhecido por “Irão-Contras” Nesse importante discurso, Harold Pinter testemunha uma conversa entre um padre da Nicarágua e o diploma norte-americano. O relato do sacerdote é arrepiante: “Dirijo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivíamos em paz. Há alguns meses uma força dos Contra atacou a paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram as enfermeiras e as professoras, assassinaram os médicos, da forma mais brutal. Comportaram-se como selvagens. Por favor, peça que o governo dos EUA retire o seu apoio a esta revoltante actividade terrorista”.
Perceba-se bem que Harold Pinter, no seu notável humanismo, não defendia regimes; defendia os direitos humanos! A melhor homenagem que lhe podemos fazer é saborear o discurso de aceitação do prémio Nobel, em 2005. Um texto histórico, sem dúvida. Embora longo, não cansa lê-lo. Deve ser lido, aliás. Não o percam

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